A Bíblia, a ciência e as origens humanas

ERNEST C. LUCAS, DENIS R. ALEXANDER, R.J. (SAM) BERRY, G. ANDREW D. BRIGGS, COLIN J. HUMPHREYS, MALCOLM A. JEEVES, ANTHONY C. THISELTON

Science & Christian Belief

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Este trabalho considera se, e como, o consenso científico atual sobre as origens humanas pode estar relacionado com passagens bíblicas relevantes. O consenso científico é delineado, observando pontos que podem parecer problemáticos de uma perspectiva bíblica. Argumenta-se que a Bíblia deve ser compreendida usando “o princípio da encarnação” como abordagem hermenêutica. Isto exige levar a sério o contexto histórico e cultural, e as formas literárias contemporâneas, de seus escritores inspirados. Gênesis 1-3, 1 Coríntios 15.21-22, 42-49 e Romanos 5.12-21 são discutidos, observando pontos teológicos que podem ser relevantes no que diz respeito ao consenso científico. Argumenta-se que o propósito da Bíblia não é nos dar informações científicas sobre as origens humanas, mas revelar verdades teológicas sobre a natureza e o propósito dos humanos. Discute-se então como essas verdades teológicas podem estar relacionadas ao consenso científico sobre as origens humanas. Dois modelos particulares para relacionar a história bíblica de Adão e Eva e a Queda com a história científica são apresentados. Não são os únicos modelos possíveis compatíveis com a teologia bíblica das origens humanas e as evidências científicas atuais. O importante é que tais modelos são possíveis.

Palavras-chave: Adão, evolução, Gênesis, imagem de Deus, Paulo, a Queda.

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  1. A história científica

O relato científico moderno das origens humanas é baseado na teoria da evolução. Este artigo não é lugar para discutir as evidências que sustentam essa teoria.[1] Seu propósito é considerar se, e como, o consenso científico atual pode estar relacionado ao material bíblico sobre origens humanas. O que segue nesta seção é um resumo do entendimento atual das origens evolutivas dos seres humanos. A estrutura básica para isso vem do estudo de remanescentes fósseis de humanos e outros primatas. Nas últimas décadas, esse entendimento foi complementado e confirmado pelos desenvolvimentos em biologia molecular e genômica comparada.[2] Essas abordagens bem diferentes forneceram forte apoio, aumentando a confiança de que a história evolutiva das origens humanas está essencialmente correta, mesmo que haja muito mais a ser descoberto e entendido em relação aos seus detalhes.

A ocasional resposta depreciativa, “Evolução é apenas uma teoria”, surge de um mal-entendido. Como muitas palavras, “teoria” na linguagem popular tem um significado diferente do significado que tem na ciência. O Dicionário Oxford de Inglês coloca o seu significado popular como “Uma hipótese proposta como explicação; dessa forma, uma mera hipótese, especulação, conjectura; uma ideia ou conjunto de ideias sobre algo; uma visão ou noção individual”. Quando usado cientificamente, significa “Uma hipótese que foi confirmada ou estabelecida por observação ou experimento, e é proposta ou aceita como explicativa a partir dos fatos conhecidos; uma afirmação do que é considerado como sendo leis gerais, princípios ou causas de algo conhecido ou observado”. Deste modo, a teoria da evolução hoje é considerada bem estabelecida por praticamente todos os cientistas e constitui uma base significativa para a biologia moderna. Certamente as teorias científicas mudam ao longo do tempo, conforme novas evidências vêm à luz. No entanto, uma boa nova teoria deve explicar todas as evidências que apoiaram a teoria mais antiga e muitas vezes incorpora essa teoria de uma forma modificada. A ideia essencial da teoria da evolução, que novas formas de vida surgem por um processo de “descendência com modificação” e que todas as formas de vida existentes na Terra estão inter-relacionadas, sendo os produtos de tal processo, começando com um ancestral comum, é muito bem estabelecida. O debate continua sobre o entendimento detalhado do processo.

 

1.1 As origens do Homo sapiens

Nossos parentes vivos mais próximos são os chimpanzés. Nós não evoluímos deles. Nós e eles evoluímos a partir de um ancestral comum que viveu cerca de 5-6 milhões de anos atrás. Desde então, nós, os chimpanzés e os outros “grandes macacos” com quem compartilhamos ancestrais comuns, cada um tem seguido caminhos evolutivos independentes. Nosso próprio gênero Homo surgiu na África há cerca de 2-3 milhões de anos. Há debate sobre sua linhagem exata, embora provavelmente tenha surgido do gênero Australopithecus. Várias espécies de Homo existiram e se desenvolveram na África ao mesmo tempo. Homo heidelbergensis, uma espécie que é por vezes considerada como um Homo sapiens arcaico, apareceu na África cerca de 600.000 anos atrás. Ele se espalhou da África para toda a Europa e através da Ásia até a China. Os mais antigos fósseis bem caracterizados que são classificados anatomicamente como humanos modernos, Homo sapiens, datam de cerca de 200.000 anos atrás e foram encontrados no sul da Etiópia. Uma expansão para o Oriente Próximo ocorreu aproximadamente 115.000 anos atrás, a data de alguns fósseis de H. sapiens encontrados em Israel. Entretanto, foi apenas há cerca de 60.000 anos, ou possivelmente mais cedo[3], que uma migração significativa, ou migrações, de H. sapiens a partir da África aconteceram. Humanos modernos viajaram em direção ao leste através da Ásia e alcançaram a Austrália cerca de 50.000 anos atrás; depois expandiram-se para o norte, onde aparecem como os humanos de Cro-Magnon. Eles cruzaram o estreito de Bering para a América do Norte cerca de 18.000 anos atrás. Existe atualmente uma boa evidência genética de que na história humana houve hibridização relativamente recente entre humanos anatomicamente modernos e grupos relacionados, como os neandertais. Visto que uma pequena quantidade de DNA neandertal é encontrada em todos os não-africanos, mas está ausente na maioria das populações africanas, alguma hibridização provavelmente ocorreu depois da migração para fora da África. Portanto, se alguém toma uma definição estrita de espécie como uma população de animais que nunca se envolve em reprodução bem-sucedida com outra população, então os humanos só foram “reprodutivamente isolados” de forma clara e inequívoca nos últimos 35.000 anos, aproximadamente.

A genética tem sido de grande ajuda para traçar a evolução e as migrações de H. sapiens. Ela também fornece a base para estimar o tamanho da população de indivíduos reprodutivamente ativos em vários momentos. Na época em que todos os H. sapiens ainda estavam na África, a população desses indivíduos girava em torno de 9.000-12.500. Destes, talvez 1.000 ou mais migraram para fora da África como os ancestrais da população que agora ocupa o resto do mundo. Por menores que esses números sejam, eles contradizem qualquer probabilidade de que todos os seres humanos modernos sejam geneticamente descendentes de um único par de antepassados no passado recente.

O sequenciamento completo dos genomas humano e do chimpanzé deixou claro que, em termos de material genético geral, há muito pouca diferença entre nós e eles. Existem diferentes maneiras de medir a similaridade genética, que dão valores que variam desde 95% a 99,4%. Por qualquer medida, a semelhança é muito próxima. Igualmente impressionante é o fato de que a ordem espacial dos genes ao longo dos cromossomos é muito semelhante em ambos os genomas. Estas características suportam fortemente uma ancestralidade comum para humanos e chimpanzés. Um maior apoio vem do fato de que os dois genomas compartilham milhares de “pseudogenes”, trechos de DNA que são idênticos a genes conhecidos por serem funcionais em outros organismos, mas que já não têm função nos humanos. Por exemplo, humanos, chimpanzés e gorilas compartilham centenas de genes relacionados ao olfato que foram inativados por mutações idênticas. A melhor explicação para isso é a descendência a partir de uma linhagem ancestral comum em que as mutações ocorreram. Características conhecidas como transposons (seções de DNA que foram “copiadas e coladas” várias vezes ao longo do genoma) e inserções retrovirais (seções de DNA que foram copiadas para o genoma a partir de vírus) fornecem evidências adicionais de ancestralidade comum.[4]

 

1.2 A distinção humana

Então, o que torna os humanos diferentes dos chimpanzés e dos outros macacos? Ao longo dos séculos, as pessoas consideraram várias capacidades e características humanas como traços que nos diferenciam de outras criaturas, por exemplo: linguagem, racionalidade, senso moral, senso religioso, autoconsciência. Tornou-se cada vez mais claro que várias habilidades ou comportamentos antes considerados exclusivamente humanos existem em outras criaturas de alguma forma, talvez rudimentar. A genética está começando a lançar luz nesta área, tendo em conta que habilidades e comportamentos particulares são invariavelmente influenciados por um conjunto de genes em vez de um único gene. Um exemplo interessante é o gene FOXP2. Este gene “regulador” controla a expressão de outros genes. Pessoas com uma forma mutante deste gene não conseguem falar inteligivelmente e também sofrem de relativa imobilidade da face inferior e da boca. O FOXP2 está envolvido na vocalização em ratos, na ecolocalização em morcegos e na capacidade de cantar dos pássaros, mas também ocorre amplamente em peixes e répteis. O gene FOXP2 de H. sapiens é idêntico ao Neandertal, mas difere do dos chimpanzés pela codificação de dois aminoácidos. Outro exemplo interessante é o gene ARHGAP11B que induz o neocórtex do cérebro humano a ser maior do que em outros primatas. Esse gene parece ter surgido por uma reduplicação parcial do gene ARHGAP11A encontrado em chimpanzés, depois que a linhagem Homo divergiu a partir dessa linhagem.

Estudos em disciplinas relativamente recentes como sociobiologia, neurofisiologia, psicologia e o estudo cognitivo da religião apresentaram propostas em relação ao possível desenvolvimento evolutivo de algumas características humanas. Um estudo mais aprofundado pode nos ajudar a avaliar essas propostas. Enquanto isso, o debate continua sobre se o processo evolutivo levou ao desenvolvimento gradual dessas características ou se houve alguns “saltos quânticos”, talvez por causa de mutações genéticas particulares ou a crescente complexidade das redes neurais no cérebro, o que resultou em habilidades ou características distintamente humanas. Um livro recente com contribuições de líderes em várias disciplinas se dedica a este debate. O editor[5], observando que muitos deles endossam uma abordagem gradualista, comenta: ‘Isto é importante porque, no contexto de debates mais amplos sobre a relação entre a ciência e crenças religiosas, tem havido uma tentação constante de procurar lacunas na evidência científica e encaixar Deus nessas lacunas como um conceito explanatório adicional. Não há lugar na crença cristã bem fundamentada para um “deus das lacunas”.’[6] Ele cita então um dos teólogos colaboradores, Alan Torrance:

Em resumo, se estamos à procura de um salto quântico na história da emergência da personalidade, o ‘ponto nodal’ mais relevante não seria a aquisição pelo Homo sapiens de alguma capacidade, mas Deus trazendo seres humanos para um tipo específico de relacionamento Eu-Tu, com todas as ramificações para a comunidade humana (amor, perdão, reconciliação, cuidado com os doentes e idosos) que se originam disso. É no contexto desta história teológica que o termo pessoa encontra a sua garantia e seu uso se torna de fato apropriado.

Além disso, é importante lembrar que os seres humanos são seres sociais e reconhecer o papel da socialização e do desenvolvimento cultural em nosso desenvolvimento como pessoas. Embora estejam em um estágio inicial, esses estudos exigem que consideremos a probabilidade de que a evolução tenha feito mais do que moldar nossos corpos físicos. Ela também produziu e moldou, de formas que nós ainda não entendemos, outros aspectos do que consideramos como nossa distintiva natureza humana.

  1. A história da criação bíblica[7]

Há vários textos no Antigo Testamento, além de Gênesis 1-3, que falam da criação. Eles fornecem um contexto importante para compreender os primeiros capítulos de Gênesis corretamente. Entre eles estão: Jó 26.10-13; Salmo 74.12-17; 89.8-12; Isaías 51.9-11. Todos esses referem-se ao Deus de Israel como o Criador do mundo. Neles Deus acalma o mar e destrói adversários que são descritos como monstros marinhos, serpentes e dragões, dois sendo nomeados como Raabe e Leviatã. Isso foi bastante misterioso até que a arqueologia veio em auxílio dos estudiosos do Antigo Testamento.

As escavações de um sítio chamado Ras Shamra, na costa da Síria, revelaram os restos de uma cidade cananeia conhecida pelos registros mesopotâmicos como Ugarit. Um importante porto e centro comercial, foi destruída por volta de 1200 a.C. e nunca foi reconstruída. Entre os restos estavam tabuletas de argila escritas em uma linguagem ainda desconhecida. Foi decifrada rapidamente e identificada como uma língua cananeia relacionada ao hebraico primitivo, agora chamado ugarítico. Estas tabuletas incluem textos religiosos com histórias sobre os deuses cananeus, alguns mencionados no AT, incluindo o deus Baal. Elas estão avariadas e incompletas.

As histórias sobre Baal contêm um relato de sua batalha com o Mar e uma breve menção dele derrotando um monstro chamado Litã/Leviatã. O modo como este monstro é descrito é muito significativo (usando a tradução de Wyatt):

…você feriu Litã, a serpente que se contorcia, destruiu a serpente que se enrolava, circundada-com-sete-cabeças.

Wyatt[8] comenta que as duas primeiras frases do texto ugarítico “são, levando em consideração a tradução, notavelmente próximas do texto hebraico de Isaías 27.1.” Este texto antecipa o dia em que o Deus de Israel destruirá seus inimigos (as frases paralelas estão em itálico):

Naquele dia, com a sua espada terrível, grande e forte, o SENHOR castigará o Leviatã, serpente veloz, o Leviatã, serpente sinuosa; ele matará o monstro que está no mar.[9]

Há também semelhança entre este texto ugarítico e o Salmo 74.14, onde diz-se que o Leviatã tem várias cabeças. É notável que Jó 26.13 menciona Deus perfurando “a serpente em fuga”. Há pouca dúvida de que o Leviatã da poesia hebraica é o monstro dos textos cananeus muito mais antigos.

Por trás dessas passagens poéticas do AT que se referem a algum tipo de conflito na criação está a história da criação que conhecemos melhor a partir do épico babilônico Enuma Elish. Nesta história, Marduk, o deus da Babilônia, luta contra as forças do caos, descritas como uma série de dragões monstruosos e outras criaturas. Ele mata a sua líder, Tiamat, corta-a pelo meio e, com a sua carcaça, faz o disco plano da terra e a cúpula do céu. Ele estabelece os corpos celestes no céu para instituir o calendário. Neste ponto, a tabuleta está danificada e não é fácil de ler. No entanto, parece ser uma referência do estabelecimento do dia e da noite, da criação das nuvens, vento, chuva e neblina, e depois o estabelecimento da base para a agricultura.[10] Uma forma variante desta história é provavelmente refletida nas histórias ugaríticas do conflito de Baal com o Mar e o Leviatã. Sua mensagem é que o cosmos é um lugar ordenado porque o deus-criador subjugou as forças do caos.[11]

Nas passagens do AT, os poetas hebreus recorreram a este imaginário da criação, que fazia parte de sua cultura mais ampla, para dizer que o Deus de Israel, e não outro deus, Baal ou Marduk, é o Criador e aquele que está no controle de quaisquer forças do caos. É uma característica da poesia ao longo dos tempos usar às vezes imagens culturais profundamente arraigadas, e consequentemente poderosas, para transmitir sua mensagem. Por exemplo, John Milton era cristão, um puritano do século XVII. Em alguns de seus poemas ele transmite ideias cristãs usando imagens tiradas da mitologia grega antiga. Isto se dá porque o inglês educado dos seus dias teria aprendido grego e seria bem letrado na literatura grega clássica. Dessa forma, ele poderia usar imagens extraídas daquela fonte para transmitir sua mensagem de forma sucinta e eficaz. Isso não significa que ele acredita nos deuses gregos, mas apenas que às vezes as histórias sobre eles vão direto ao ponto que ele quer, usando um imaginário marcante que será bem conhecido pelos seus leitores. Os poetas hebreus estão fazendo a mesma coisa com o uso de imagens de uma história de criação que era bem conhecida em várias versões no antigo Oriente Próximo.

 

2.1 O ‘princípio da encarnação’ na interpretação bíblica

Decorre disso uma importante lição a respeito de como Deus revelou aos antigos hebreus a verdade que ele queria que eles soubessem e o que isso significa sobre como devemos interpretar a Bíblia, o NT e o AT. Isso pode ser chamado de “o princípio da encarnação” porque é muito óbvio na autorrevelação de Deus em Jesus: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). É a máxima revelação de Deus à qual nós chegamos, na forma de uma única pessoa humana, de um determinado gênero e etnia, que viveu em uma cultura particular em um lugar particular e em um momento particular da história humana e que falou uma linguagem particular. Esta “particularidade” da encarnação moldou a maneira com que a revelação foi dada. Um exemplo simples é que as parábolas de Jesus refletem uma cultura que é muito diferente da de alguém que cresceu na moderna e urbanizada Europa Ocidental. A menos que nós nos esforcemos para compreender o contexto cultural e histórico das parábolas, podemos entender mal, ou falhar em entender completamente a sua mensagem. Mas isso é verdadeiro em toda a Bíblia. A mensagem de Deus sempre vem de uma forma que é “encarnada” particularmente em um contexto étnico, cultural, histórico e linguístico. Como o que temos na Bíblia é um registro escrito dessa revelação, ela também vem em formas literárias que são apropriadas para o tempo em que foi escrita. Tudo isso é muito relevante para o modo como interpretamos a Bíblia e, em particular, os capítulos iniciais de Gênesis.

Como um guia para ajudar na nossa interpretação da Bíblia, existem algumas perguntas diretas que fluem deste “princípio de encarnação” que precisam ser perguntadas sobre qualquer texto.

  1. Que tipo de linguagem está sendo usada?
  2. Que tipo de literatura é essa?
  3. Qual é o público-alvo?
  4. Qual é o propósito do texto?
  5. Que informação de fora da Bíblia pode ser útil na interpretação esse texto?

É útil aplicar estas questões à interpretação dos primeiros capítulos de Gênesis.[12]

Embora as descobertas arqueológicas ao longo do século passado tenham mostrado que Gênesis 1-3 se encaixa em um contexto de literatura e pensamento sobre criação do antigo Oriente Próximo (AOP), isso muitas vezes não é levado a sério por pessoas lendo esses capítulos em busca de informações sobre as origens humanas. Alguns assumem que o texto pode ser lido como se compartilhasse e abordasse nossas preocupações científicas pós-iluministas, quando isso não acontece. Clifford e Collins[13] listam quatro grandes diferenças entre o AOP e as formas científicas de pensar sobre a criação.

  1. Os escritores do AOP imaginam e apresentam a ação divina na criação no modelo de realização humana ou atividade natural. Cientistas consideram a criação como a ação impessoal de forças físicas.
  2. O foco dos relatos do AOP é o surgimento da sociedade humana. Eles estão preocupados principalmente com as origens da comunidade e da cultura. Os cientistas estão preocupados principalmente com o surgimento do mundo físico.
  3. Os textos do AOP apresentam a criação como um drama, uma história. A história é geralmente seletiva e incompleta porque tem um propósito limitado. A ciência oferece um relato do desdobramento de um processo impessoal governado pelas leis da natureza e procura fazer da forma mais detalhada possível.
  4. O critério da verdade nos relatos do AOP é funcional: “A história me permite lidar satisfatoriamente com algum aspecto da vida agora?” Para os cientistas, o critério é: “Isso explica todos os dados científicos satisfatoriamente?”

Visto que o AT vem do mundo do AOP, e não da cultura científica do mundo ocidental moderno, devemos lê-lo no contexto da cultura do AOP e no seu interesse na criação, não no nosso. Se não fizermos isso, não estamos realmente ouvindo a Bíblia, mas simplesmente ouvindo a nossa própria voz ecoando de suas páginas.

Considerando o relato de Gênesis em seu contexto do AOP, Kitchen[14] expressa a visão de que, “em Gênesis 1-2, Adão é a humanidade sem diferenciação, mas ele foi então colocado em um local de trabalho e campo de prova (2-3), onde ele falhou.” Ele também sugere que as genealogias em Gênesis 5 e 10 podem ser “atlas verbais” mostrando as relações entre povos em vez de indivíduos.

Walton argumenta em detalhes que Gênesis 1 deve ser entendido em termos da cosmologia que foi amplamente sustentada em todo o AOP e a qual o AT mostra que foi sustentada pelos antigos hebreus.[15] Com relação ao AT em geral, ele argumenta que os israelitas n