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Inteligência artificial – Parte IV

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Uma Perspectiva Cristã Sobre a Inteligência Artificial: Como Cristãos Devem Pensar Sobre Máquinas que Pensam? – Parte IV

Steve VanderLeest — Calvin College, Grand Rapids, MI, USA

Derek Schuurman — Redeemer University College, Ancaster, Ontario, Canada

Tradução: Moisés Lisboa

Este texto é uma tradução de parte de um artigo publicado em 2015 na Christian Engineering Conference‎. O artigo completo, em inglês, pode ser encontrado aqui, ou no site da conferência.

 

 

 

  1. Conclusão

 

O cientista da computação, Edsger Dijkstra, escreveu certa vez que a questão de saber se as máquinas podem pensar é tão relevante quanto a questão de saber se “os submarinos podem nadar”. Independentemente da opinião que alguém tenha sobre esse assunto, é evidente que a IA levanta muitas questões fundamentais sobre o que significa ser humano. Tais questões incluem considerações sobre filosofia antropológica e a noção de corpo, alma e mente. Incluem, também, considerações sobre o que torna os seres humanos únicos, e se uma máquina poderia replicar isso um dia. Muitos atributos são associados ao ser humano, como, por exemplo, a inteligência, a emoção, a criatividade e o livre arbítrio. Pontos de vista que sugerem que computadores podem replicar completamente os seres humanos são fortemente dependentes de uma visão materialista dos mesmos. Neste artigo, nós argumentamos que as implicações do materialismo levam à negação de muitos desses atributos, tais como o livre arbítrio, a criatividade e a alma. Na verdade, o materialismo pode levar a uma rejeição do corpo, uma vez que as pessoas desprezam seus corpos mortais e esperam, um dia, poder “fazer o download” de seus cérebros para ambientes virtuais.

 

Descrevemos uma visão diferente do que significa ser humano; uma visão moldada pela narrativa das Escrituras. A história da criação nos descreve como sendo portadores da imagem de Deus, aos quais foram concedidas liberdade e responsabilidade. Reconhecemos a queda no pecado, o que levou a muitas distorções no uso e na aplicação da tecnologia, incluindo a IA. De fato, muitos fazem da IA um ídolo, colocando a sua fé nela e considerando-a um eventual caminho para a imortalidade. Felizmente, há esperança por meio da redenção de Cristo, e somos chamados a participar na tarefa de trazer restauração – também no trabalho com IA e tecnologia.
A questão de como os cristãos devem pensar sobre máquinas que pensam não é só um exercício acadêmico, nem apenas material para filmes de ficção científica. Ela está relacionada à crenças fundamentais sobre o que significa ser humano. À medida que entendermos melhor a visão bíblica de quem nós somos, também entenderemos melhor nossa relação com nossas máquinas e tecnologia. Somos chamados a usar a IA de forma responsável, buscando o desenvolvimento humano e exercitando a humildade para evitar possíveis danos. Também reconhecemos que existem algumas situações em que a IA não deve ser utilizada, para as quais pode ser necessário impor limites. Diferentes pressupostos filosóficos levam a conclusões muito diferentes sobre o papel e o uso da IA. Essas tecnologias não são neutras, não apenas nas pressuposições por trás delas, mas também no crescente impacto que elas têm em nosso trabalho, nossa cultura e nosso mundo. Com humildade, e reconhecendo nosso estado caído, devemos procurar desenvolver ferramentas que amenizem os efeitos do pecado, contribuam para que haja mais justiça e mostrem misericórdia. Resumindo, nossas ferramentas devem nos ajudar a atuar como agentes redentivos.

 

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