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Entrevista – Dennis Alexander

 

1) Como você vê a resistência ainda comum contra a teoria da evolução dentro de alguns contextos religiosos?
A resistência à teoria da evolução varia muito entre diferentes países e entre diferentes comunidades religiosas. No Reino Unido, aqueles que se auto identificam com a posição chamada criacionista de Terra jovem representam cerca de 1-2% da população de acordo com uma pesquisa recente, e a evolução teísta tem sido uma posição comum desde a época de Darwin. No mundo muçulmano, o criacionismo da Terra antiga é comum. Na Turquia, por exemplo, cerca de 70% da população não acredita na evolução darwiniana. Muitas vezes, quando esses números são analisados ​​mais profundamente, verifica-se que as razões pelas quais as pessoas se opõem à evolução darwiniana podem ser bastante variadas. A oposição vem das várias maneiras em que o darwinismo tem sido usado para apoiar ideologias políticas ou racistas ao longo dos anos, embora a própria teoria não diz nada sobre política ou raça. Por exemplo, Darwin foi introduzido na Turquia a partir da Alemanha em um “pacote materialista” ideológico, e não como simplesmente uma teoria biológica, o que ajuda a explicar a oposição dos muçulmanos ao darwinismo. Na China, as comunidades eclesiásticas tendem a se opor à evolução porque Darwin é identificado com o regime comunista. Há uma grande necessidade de despojar a evolução de suas associações ideológicas e ensinar a teoria simplesmente como biologia, e não como ideologia.

 

2) Como o estudo da evolução enriquece sua relação com a fé cristã?
A teoria da evolução fornece um bom lembrete aos cristãos da imanência de Deus na criação. Isso significa que Deus não é um criador distante que estabelece as leis da ciência no início do universo e depois se retrai (uma crença conhecida como “deísmo”), mas sim o Criador que apoia e sustenta ativamente tudo o que existe. Como Paulo escreve aos Colossenses: “pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Colossenses 1:16-17). Assim que a teoria de Darwin foi publicada em 1859, os teólogos cristãos reconheceram que a evolução ajuda a contradizer estas ideias deístas inócuas, restaurando em seu lugar um robusto teísmo em que Cristo trabalha em e através de tudo o que existe – incluindo todo o longo processo da história evolutiva.

 

3) O que é, em poucas palavras, tal perspectiva criacionista que aceita a evolução?
Na compreensão bíblica de Deus como Criador, Deus é a fonte e o fundamento de toda a existência. Tudo o que existe só existe porque Deus o trouxe à existência e sustenta a sua existência. Se Deus não quisesse que as coisas existissem, então nada existiria. Ao mesmo tempo, Deus, a Causa Primária, graciosamente concedeu à sua criação sua própria integridade funcional, realizando seus propósitos por meio de causas secundárias – todos aqueles mecanismos pelos quais as coisas existem e têm seu ser. Deus faz com que as criaturas sejam causas. Todas as teorias científicas são tentativas humanas para descrever e compreender as causas secundárias envolvidas na ordem criada por Deus. A evolução é uma dessas teorias.

 

4) Como seu livro pode ajudar as pessoas a entender melhor a relação entre criação e evolução?
O livro ‘Criação ou Evolução – Temos que Escolher? ‘ aceita a Bíblia como a Palavra de Deus inspirada de capa a capa. Mas também aponta que a compreensão da palavra de Deus exige algum esforço de nossa parte, em particular para entender o tipo de literatura que estamos lendo. Há mais de vinte gêneros literários na Bíblia e é importante que compreendamos o gênero que está sendo usado. Assim, o livro passa algum tempo em tais questões. Ele também se propõe a explicar a evolução, fornecendo alguns exemplos de como a teoria pode ser mal interpretada. Tendo esclarecido o que a Bíblia quer dizer quando fala de Deus como Criador, e depois de ter esclarecido o que os biólogos querem dizer quando falam de “evolução”, o livro leva os dois relatos, o teológico e o científico, a conversar um com o outro. O objetivo não é permitir que a ciência dite à teologia o que ela deve acreditar, nem vice-versa, mas ver o mundo inteiro como o mundo de Deus, incluindo o mundo vivo, e toda a verdade como a verdade de Deus – buscando uma conversa positiva. Ao mesmo tempo, o livro reconhece que a evolução traz consigo alguns desafios teológicos, e por isso existem vários capítulos sobre temas como Adão e Eva, a Queda, o problema do sofrimento, a origem da vida e o Design Inteligente.

 

5) O que você diria aos cristãos brasileiros que rejeitam a evolução e poderiam ver seu livro como uma ameaça à fé da juventude neste país?
O grande desafio pastoral à fé ocorre quando os jovens em nossas igrejas rejeitam a evolução por motivos teológicos. O que normalmente acontece é que eles então vão para a faculdade ou universidade e descobrem que a evidência para a evolução é esmagadora (o que é verdade). Eles então enfrentam um dilema: devo crer na evolução e desistir da minha fé? Ou devo manter minha fé, mas rejeitar uma grande teoria científica acreditada por 99% ou mais de todos os biólogos em todo o mundo? Infelizmente, este dilema, que é bastante desnecessário, muitas vezes leva a uma perda de fé e o estudante universitário escolhe a ciência no lugar da fé. Que tragédia! O que as igrejas precisam fazer é mostrar como a evolução, como uma teoria biológica, é perfeitamente compatível com uma fé cristã sólida. Isso significa que não há necessidade de rejeitar uma teoria tão bem fundamentada. Eu tenho sido um crente evangélico nos últimos 58 anos e nunca duvidei da teoria da evolução. A resposta à pergunta “Criação ou Evolução – temos que escolher?” É definitivamente “Não, nós não temos que escolher” – mas você precisará ler o livro para descobrir por quê!

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Tradução: Tiago Garros

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