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A força da ABC² está em seus grupos locais

“A ABC² acontece nos grupos locais”! Pode soar clichê, mas não é. Deixe-me lhe mostrar o por quê. Para começar, é necessário compreender o significado de uma associação que se propõe a construir pontes de ideias na escala do nosso país.

A ABC² existe para promover a interação entre os campos da ciência e da fé cristã. Enquanto os dois campos podem ser definidos no nível das ideias, a interação entre as duas partes se dá no nível de seus interlocutores. Isto é, a interação se dá através das organizações de cada um dos lados e, em última instância, através das pessoas que as compõem. Enquanto a ABC², como instituição, pode dialogar com outras instituições, a interação mais profunda, mais frutífera e mais necessária se dá entre as pessoas.

Ora, os grupos locais da ABC² são as células fundamentais da associação. É no grupo local que se desperta o interesse, que se apresentam dúvidas, que se discutem ideias. É no grupo local que conhecemos as diferentes perspectivas sobre um tema, que aprendemos a argumentar com respeito, que exercitamos a instrução em amor. É no grupo local que nos identificamos com outros curiosos e interessados no assunto, gente como a gente, que foi despertada para o tema como nós fomos e, provavelmente, enfrentou dúvidas e problemas parecidos com os nossos. No grupo local percebemos que não estamos sós, que o assunto é mais profundo que primeiramente nos pareceu e que seu impacto na sociedade e na vida da igreja são reais. É no grupo local que comemoramos juntos os avanços no entendimento e quebramos a cabeça quando as peças não se encaixam.

Cremos, portanto, que é nos grupos locais que as coisas acontecem. Por isso, vamos refletir agora sobre as características e o funcionamento dos diversos grupos da ABC² espalhados por quase todos os estados brasileiros.

Inicialmente, planejamos organizar 12 grupos locais em nosso país. Quando elaboramos o projeto para estruturação da ABC², concluímos que 12 grupos locais seriam necessários para um bom funcionamento de uma associação com abrangência nacional, alcançando, principalmente, os grandes centros universitários. Não imaginávamos que os grupos se multiplicariam tão rapidamente. Hoje, contamos com 27 grupos organizados e em pleno funcionamento. Alguns com mais, outros com menos gente. Mas cremos que Deus tenha levantado grupos locais necessários que não havíamos previsto antes. E como isto é bom!
No início do projeto, imaginávamos que os grupos funcionariam mais ou menos da mesma forma, seguindo um modelo de liderança, um formato de reuniões e um conteúdo que funcionariam para o país todo. Estávamos enganados. Cada região apareceu com necessidades e restrições diferentes que exigiram a organização de grupos de um modo muito mais flexível. Os 27 grupos da ABC² são bem diferentes em vários aspectos.

Hoje, entendemos ser natural os grupos surgirem com características diferentes, e temos visto isso acontecer. Alguns grupos se desenvolvem ao redor de assuntos específicos como, por exemplo, o interesse em psicologia, filosofia ou cosmologia. É como se o grupo se organizasse com uma ênfase temática, o que tem atraído especialistas e estimulado o aprofundamento nestas áreas. Isto é bom!

Também é natural que o grupo se organize com vínculos de afinidade distintos. Por exemplo, existem grupos que reúnem jovens da mesma faixa etária, outros reúnem casais com filhos novos, outros são formados por alunos universitários e outros até por pessoas mais maduras e da terceira idade.

É natural que os grupos apresentem maturidade e profundidade diferentes, tanto no campo da ciência quanto no campo da fé. Alguns grupos se aprofundam mais nas ciências da natureza, por serem formados por cientistas, outros têm uma pegada mais teológica, por reunirem seminaristas e pastores. Os interesses são genuinamente diferentes e as conversas pendem mais numa direção que na outra. Isto é bom!

Verificamos ainda que a frequência e o formato das reuniões também são muito variados. Alguns grupos se reúnem toda a semana numa sala da universidade, outros se reúnem mensalmente com um belo churrasco na casa de um membro. Uns leem livros capítulo a capítulo, outros debatem vídeos e livros além dos da série da ABC².

Se você voltar aos últimos parágrafos, contará quantas vezes eu usei as palavras “diferente” ou “diverso”. As variedades de nossas dúvidas, instruções, experiências, vocações, profissões, contextos familiares e aspectos culturais de nosso país exigem essa diversidade. A diversidade, aparece mais uma vez familiar ao cristão. Na verdade, já estamos acostumados com ela. Afinal, a vida em igreja é assim: unidade na diversidade. E com os grupos da ABC² são formados por cristãos, é quase impossível que o aspecto familiar e orgânico da igreja não apareça em nossa reunião.

Veja só, muitos grupos têm servido para o aconselhamento de jovens e irmãos novos na fé. Há grupos da ABC² com clara vocação pastoral. É bom vermos, em muitos deles, um ambiente amoroso e respeitoso onde os participantes estão se instruindo mutuamente e crescendo juntos no conhecimento. É bom que certos aspectos da igreja estejam latentes em nossos grupos.

Agora que os grupos estão consolidados em suas regiões, nosso esforço passa para a segunda etapa: aumentar a interação entre os grupos, estimular que eles se multipliquem e motivá-los a produzirem conteúdo. Vamos tratar desses três pontos agora.

Como vocês sabem, ao longo do ano, nos reunimos em uma série de reuniões em vídeo conferência com um ou mais grupos locais juntos com a coordenação da ABC². São os famosos Hangouts. Esse canal de comunicação nos permitiu conhecer e avaliar as atividades de cada grupo local. Esperamos que os Hangouts também tenham servido de encorajamento para os grupos o tanto quanto encorajaram a coordenação da ABC². De fato, temos sido constantemente animados por nossas conversas. E isso é muito bom!

Agora, gostaríamos de aumentar a interação dos grupos com foco em nossa segunda Conferência Nacional, que já está chegando. Esta será a oportunidade para os grupos se conhecerem e trocarem ideias. Será uma oportunidade ímpar para os grupos locais saborearem os frutos da diversidade dos outros grupos. Prepare-se para viajar para Recife em novembro de 2018! Quando juntarmos representantes dos 27 grupos no mesmo lugar teremos uma visão clara de quão unidos e variados nós somos.

O segundo ponto importante é promover a multiplicação de grupos plantados e tutorados por grupos já existentes. A ideia é que grupos locais semeiem novos grupos que possam se organizar ainda que com características diferentes. Grupos mais maduros podem instruir novos grupos e iniciá-los nos temas mais interessantes da interação entre fé e ciência. Eles também podem tutorar os novos grupos, auxiliando em suas atividades até que o novo grupo se fortaleça.

É importante pensar que não precisamos de grupos muito grandes, com muitos membros. Grupos que crescem demais começam a ter dificuldade para se reunir: falta horário, falta espaço, perde-se a afinidade. Grupos muito grandes também têm mais chance de reunir gente em níveis muito diferentes de profundidade e maturidade nos assuntos estudados. Quando um grupo já organizado recebe constantemente o ingresso de novos membros, cria-se a sensação que o grupo não amadurece, mas tem que ficar “fazendo introdução” constantemente. Isso pode causar a sensação de que o grupo não evolui, o que pode ser frustrante. Melhor seria se um grupo maduro pudesse continuar se aprofundando nos temas de maior interesse. Enquanto isso, membros deste grupo podem auxiliar na organização de novos grupos, que serão introduzidos no tema e encontrarão seu próprio modo, ritmo e ênfase de organização e funcionamento.

Aí está um aspecto missiológico e de discipulado que também já nos é familiar. Isso permitiria a criação de vários grupos locais menores numa mesma região, cada um com características diferentes: um mais jovem, um que se reúne numa universidade, outro que se reúne com maior frequência, um formado por pastores, outro que se dedica a uma área de estudos, outro que ainda esteja engatinhando… Finalmente, vários grupos numa mesma região fortaleceriam a organização de eventos regionais; os grupos irmãos poderiam se organizar para, juntos, promoverem algum encontro maior na sua região ou outras atividades que queiram.

No terceiro ponto, devemos nos esforçar para que os grupos comecem a produzir material e conteúdo nos seus temas de concentração. De certo modo, reconhecemos que os grupos podem produzir em duas direções: interna e externa. Deixe-me explicar:

Olhando para dentro, os grupos podem organizar eventos, produzir vídeos, escrever artigos que satisfaçam as necessidades de seus membros e a de outros grupos de mesma característica. Por exemplo, um grupo de pastores pode produzir material que ajude outros grupos locais formados por pastores e líderes de igreja. Um grupo mais interessado em filosofia, pode produzir material para instruir seus novos membros e outros grupos nos fundamentos filosóficos da interação entre fé e ciência, e assim por diante. Esse material partiria da experiência do grupo que vem estudando um tema em conjunto e serviria aos demais, esclarecendo dúvidas que surgiriam naturalmente.

Olhando para fora, os grupos mais maduros têm condições de contribuir para a interação entre fé crista e ciência na fronteira do conhecimento. Não são poucos os associados que estão desenvolvendo estudos de pós-graduação e até mesmo pesquisas na interação entre fé e ciência em universidades brasileiras e até mesmo em programas do exterior. Estes estão trabalhando na fronteira do conhecimento, produzindo material novo não apenas para o contexto brasileiro, mas impactando o mundo com seu trabalho. De modo semelhante, o esforço coletivo de um grupo maduro, que tem se aprofundado num tema específico, pode produzir material de alto nível, em pé de igualdade com os principais centros de pesquisa do assunto no mundo.

Obviamente, ao criarmos o projeto da ABC², nos espelhamos em modelos de interação entre fé e ciência que já estavam em funcionamento em outros países. Reconhecemos que o assunto esteja nascendo no Brasil na forma como imaginamos que devesse ser conduzido. Contudo, não devemos parar por aí, copiando apenas o que há de melhor lá fora, mas devemos contribuir para a conversa com a qualidade que já encontramos aqui dentro. Bom demais!

Para encerrar. Espero que esteja convencido de que por mais que a ABC² se empenhe para produzir bons livros, criar cursos, ministrar palestras, trazer gente de fora… ela é tão forte quanto fortes forem seus grupos locais. Se quisermos impactar a sociedade secular, bem como nossas igrejas, devemos concentrar esforços nas pessoas, nos nossos relacionamentos, nos nossos grupos. Assim, construindo sobre a estrutura do Corpo de Cristo, que já conhecemos, instruiremos uns aos outros em amor.

Participe de um grupo local ou crie um. Mais informações: contato@cristaosnaciencia.org.br .

 

Por Gustavo Assi

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